Será que o nome de Arthur o bretão não se expandiu e familiarizou-se tanto como se expandiu a cristandade?. Quem, digo eu, não fala de Arthur o Bretão, sendo quase mais conhecido na Ásia do que na Britania (País de Gales e Cornualha); tal como os peregrinos que regressaram do Oriente nos informaram? O povo oriental fala dele, tal como o povo ocidental, embora separados por toda a extensão da terra... Roma, rainha das cidades, cantava as suas obras, nem a guerra de Arthur era desconhecida para a sua anterior rival Cartage, Antioch, Arménia, Palestina, que celebra os seus actos.


Alanus de Insulis

Arthur era o lendário rei britânico medieval, herói de um dos mais emocionantes e mais relatados ciclos das lendas e romances. Diz-se que nasceu em Tintagel, na Cornualha, filho do Rei Uther Pendragon e Igraine, a mulher do duque de Tintagel. O feiticeiro Merlin fez um truque mágico de forma a unir Uther Pendragon e Igraine, tendo pedido que o resultado dessa união, Arthur fosse entregue a ele para o criar e educar. Arthur foi Rei da Grã-Bretanha e com a ajuda do seu conselheiro Merlin, dominou a côrte como líder dos Cavaleiros da Tavola Redonda. Os cavaleiros galopavam para executar grandes proezas, à procura de aventuras. A sua mais notável missão foi a busca do Santo Gral - na lenda cristã o copo sagrado usado por Cristo na última Ceia. Traído por Guinevere, sua mulher e por Mordred, seu filho ou sobrinho, foi mortalmente ferido na batalha contra Mordred, e enviado para Avalon, a terra dos heróis imortais. As lendas referem que um dia regressará a Avalon para ajudar o seu país em perigo.

Pouco se sabe do real Arthur, concordando muitos historiadores que o Arthur da lenda é, provavelmente, baseado num chefe guerreiro britânico chamado Roman Artorius que viveu no século VI. Ele era possivelmente líder dos Bretões cristãos, contra os Saxões guerreiros que, desde o ano 450, invadiram em grupos a Grã-Bretanha. No "Book of Complaints", escrito por Gildas no ano 540, vem mencionado que os Saxões foram derrotados no ano 500 na grande batalha de Mount Badon. Embora não venha mencionado o nome de Arthur neste conto, na "History of Britons", escrita no século IX por Nennius, diz que Arthur era chefe guerreiro ou general dos Bretões na Batalha de Mount Badon. No "Cambrian Annals" escrito no século X, vem mencionado que Arthur derrotou os Saxões em Mount Badon em 516, referindo, também, a batalha de Camlann, em que Arthur e Medrut (Mordred) perderam.

O Arthur das lendas celtas era um herói com as proporções de Hércules. Ele livrou-se da terra dos gigantes e lutou contra monstros e bruxas, matando o "Gato Demónio" de Losane e caçando o fabuloso javali Twrch Trwyth lançando-o ao mar. Uma das alcunhas de Arthur era "O Javali da Cornualha". Um poema galês "Teh Spoils of Annwn" provavelmente escrito no século X, refere o ataque de Arthur à terra da morte, a ilha de Avalon. O objectivo do ataque era apoderar-se do caldeirão Annwn, do qual só os mais valentes e honestos podiam comer dele. Este caldeirão podia ser o original Gral, e Arthur como fornecia a comida aos herois imortais, ao saquear o caldeirão, tornou-se também, imortal. No inicio das lendas celtas Arthur tinha um grande grupo de companheiros incluindo Cei Wynn (mais tarde em outros romances, Sir Kay) Gereint (Sir Gareth), Llenlleuwe (Sir Lancelot), Gwenhwyfar (Guinevere) a sua mulher. Os velhos deuses celtas, agora homens, estão nessas lendas: Manawydan, Teymon e Ghynn, filho de Nudd, o senhor Hell.

Antes de 1100 existem várias histórias de Arthur, sendo as suas aventuras populares no País de Gales e Cornualha e também muito conhecidas na Britânia. Poetas Bretões traduziram os contos para francês, embelezando-os, tendo sido divulgados em França. Trovadores e contadores de lendas, que faziam do seu modo de vida contar as historias das cortes nos salões, desenvolvem ainda mais os detalhes e as variações das lendas arturianas. Em 1100 as lendas foram expandidas até Itália.

Na "History of the Kings of Britain" de Geoffrey of Monmouth, Arthur tinha 15 anos quando Uther Pendragon morreu e foi sepultado em Stonehenge. Arthur foi coroado rei em Silchester. A "Morte de Arthur" escrita no século XV por Thomas Mallory, relata a história da ascensão de Arthur ao trono. Não havia ninguém para suceder a Pendragon, fazendo com que vários dragões lutassem pelo trono. Merlin instigou o arcebispo de Cantebury para convocar todos os barões em Londres, aonde ele tinha posto uma espada numa grande pedra. Cartas acerca da espada dizem: "Quem tirar a espada desta pedra, será rei de toda a Inglaterra". Ninguém a não ser o jovem Arthur, conseguiu remover a espada, embora muitos o tenham tentado. Arthur foi, então, coroado rei, tendo derrotado todos os seus rivais numa série de batalhas.

O texto "History of the Kings of Britain" de Geoffrey foi descrito, por um lado, como o mais bem sucedido trabalho de ficção alguma vez escrito e, por outro lado, condenado como sendo uma injuria à veracidade histórica. Geoffrey descreve como o Rei Artur, com a sua espada, Caliburn, que foi esquecida em Avalon, dominou os Escoceses, e conquistou a Irlanda, Noruega, Islandia, Dinamarca e França.

Mais tarde, a espada passou a chamar-se "Excalibur". Merlin e Arthur foram para um lago, no meio do qual um braço segurava a espada. A espada, "Excalibur", pertenceu à Dama do Lago, que a ofereceu a Arthur. Quando Arthur morreu e foi levado para Avalon, a espada regressou ao lago. Arthur casou com Guinevere, e alguns contos dizem que ele recebeu como prenda de casamento do seu sogro, a Tavola Redondas, que tinha 150 lugares. A sua irmã casou com Loth, duque de Lothian, tendo tido dois filhos dele, Gawain e Mordred. Alguns contos referem que Arthur, sem saber que a mulher do duque de Lothian era a sua própria irmã, dormiu com ela, tendo concebido Mordred. Foi este incesto que levou Arthur e os Cavaleiros da Tavola Redonda à destruição, tal como Merlin tinha profetizado.

Arthur mesmo sabendo que a sua mulher estava apaixonanda por Lancelot, recusava-se a admiti-lo perante os outros, devido ao seu grande afecto por Lancelot. Mas Mordred e Agravaine, que odiava Lancelot, denunciou-o a Arthur e a acusação de traição e adultério tornou-se pública. Arthur autorizou Mordred a prender Lancelot, mas este fugiu. Alguns dos cavaleiros foram com Lancelot, outros manifestaram-se leais a Arthur. Quando Arthur e Gawain foram com as tropas para França lutar contra Lancelot, foram mortos muitos cavaleiros de ambos os lados. Mordred afastado da governação de Inglaterra, capturou a coroa e tentou também raptar Guinevere, que resistiu. Arthur regressou a Inglaterra e numa grande batalha, procurou Mordred, matando-o com uma lança. Quase a morrer Mordred deu um golpe mortal a Arthur.

Sir Bedivere ajudou Artur a sair para a margem do lago e, de acordo com as suas instruções, lançou a espada à água. Um braço veio ao de cima da água para levar a espada, desaparecendo em seguida. Arthur, mortalmente ferido, é posto num grande barco mágico e é levado para Avalon a terra dos heróis imortais.

Segundo a tradição, Glastonbury era a ilha de Avalon. Em 1191, monges de Glastonbury desenterraram um caixão de madeira, a 6 metros de profundidade, que afirmaram conter o corpo de Arthur.

Encontraram uma cruz de chumbo dentro do caixão que continha a seguinte inscrição:

"Aqui na ilha de Avalon jazem o famoso Arthur e Guinevere, sua segunda mulher".

Diz-se que escrito na sua sepultura estava:

"Aqui jaz Arthur, antigo e futuro rei".

E eles remaram para mar, ficando Sir Bedivere a olhar todas as raparigas que ficaram na ilha. Entretanto Sir Bedivere gritou: Ah meu senhor Arthur, o que irá ser de mim agora que ireis partir, deixando-me aqui sozinho entre os meus inimigos. Conformai-vos, disse o rei, e faz tal como podes, pois para mim não há verdade para acreditar; pois eu irei para o Vale de Avalon, para me curar dos meus dolorosos golpes e se vós nunca mais ouvirdes falar de mim, rezai pela minha alma.

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