Arthur era o lendário
rei britânico medieval, herói de um dos mais emocionantes
e mais relatados ciclos das lendas e romances. Diz-se que nasceu em Tintagel,
na Cornualha, filho do Rei Uther Pendragon e Igraine, a mulher do duque
de Tintagel. O feiticeiro Merlin fez um truque mágico de forma a
unir Uther Pendragon e Igraine, tendo pedido que o resultado dessa união,
Arthur fosse entregue a ele para o criar e educar. Arthur foi Rei da Grã-Bretanha
e com a ajuda do seu conselheiro Merlin, dominou a côrte como líder
dos Cavaleiros da Tavola Redonda. Os cavaleiros galopavam para executar
grandes proezas, à procura de aventuras. A sua mais notável
missão foi a busca do Santo Gral - na lenda cristã o copo
sagrado usado por Cristo na última Ceia. Traído por Guinevere,
sua mulher e por Mordred, seu filho ou sobrinho, foi mortalmente ferido
na batalha contra Mordred, e enviado para Avalon, a terra dos heróis
imortais. As lendas referem que um dia regressará a Avalon para
ajudar o seu país em perigo.
Pouco se sabe do real Arthur,
concordando muitos historiadores que o Arthur da lenda é, provavelmente,
baseado num chefe guerreiro britânico chamado Roman Artorius que
viveu no século VI. Ele era possivelmente líder dos Bretões
cristãos, contra os Saxões guerreiros que, desde o ano 450,
invadiram em grupos a Grã-Bretanha. No "Book of Complaints", escrito
por Gildas no ano 540, vem mencionado que os Saxões foram derrotados
no ano 500 na grande batalha de Mount Badon. Embora não venha mencionado
o nome de Arthur neste conto, na "History of Britons", escrita no século
IX por Nennius, diz que Arthur era chefe guerreiro ou general dos Bretões
na Batalha de Mount Badon. No "Cambrian Annals" escrito no século
X, vem mencionado que Arthur derrotou os Saxões em Mount Badon em
516, referindo, também, a batalha de Camlann, em que Arthur e Medrut
(Mordred) perderam.
O Arthur das lendas
celtas era um herói com as proporções de Hércules.
Ele livrou-se da terra dos gigantes e lutou contra monstros e bruxas, matando
o "Gato Demónio" de Losane e caçando o fabuloso javali Twrch
Trwyth lançando-o ao mar. Uma das alcunhas de Arthur era "O Javali
da Cornualha". Um poema galês "Teh Spoils of Annwn" provavelmente
escrito no século X, refere o ataque de Arthur à terra da
morte, a ilha de Avalon. O objectivo do ataque era apoderar-se do caldeirão
Annwn, do qual só os mais valentes e honestos podiam comer dele.
Este caldeirão podia ser o original Gral, e Arthur como fornecia
a comida aos herois imortais, ao saquear o caldeirão, tornou-se
também, imortal. No inicio das lendas celtas Arthur tinha um grande
grupo de companheiros incluindo Cei Wynn (mais tarde em outros romances,
Sir Kay) Gereint (Sir Gareth), Llenlleuwe (Sir Lancelot), Gwenhwyfar (Guinevere)
a sua mulher. Os velhos deuses celtas, agora homens, estão nessas
lendas: Manawydan, Teymon e Ghynn, filho de Nudd, o senhor Hell.
Antes de 1100 existem várias
histórias de Arthur, sendo as suas aventuras populares no País
de Gales e Cornualha e também muito conhecidas na Britânia.
Poetas Bretões traduziram os contos para francês, embelezando-os,
tendo sido divulgados em França. Trovadores e contadores de lendas,
que faziam do seu modo de vida contar as historias das cortes nos salões,
desenvolvem ainda mais os detalhes e as variações das lendas
arturianas. Em 1100 as lendas foram expandidas até Itália.
Na "History of the
Kings of Britain" de Geoffrey of Monmouth, Arthur tinha 15 anos quando
Uther Pendragon morreu e foi sepultado em Stonehenge. Arthur foi coroado
rei em Silchester. A "Morte de Arthur" escrita no século XV por
Thomas Mallory, relata a história da ascensão de Arthur ao
trono. Não havia ninguém para suceder a Pendragon, fazendo
com que vários dragões lutassem pelo trono. Merlin instigou
o arcebispo de Cantebury para convocar todos os barões em Londres,
aonde ele tinha posto uma espada numa grande pedra. Cartas acerca da espada
dizem: "Quem tirar a espada desta pedra, será rei de toda a Inglaterra".
Ninguém a não ser o jovem Arthur, conseguiu remover a espada,
embora muitos o tenham tentado. Arthur foi, então, coroado rei,
tendo derrotado todos os seus rivais numa série de batalhas.
O texto "History of the
Kings of Britain" de Geoffrey foi descrito, por um lado, como o mais bem
sucedido trabalho de ficção alguma vez escrito e, por outro
lado, condenado como sendo uma injuria à veracidade histórica.
Geoffrey descreve como o Rei Artur, com a sua espada, Caliburn, que foi
esquecida em Avalon, dominou os Escoceses, e conquistou a Irlanda, Noruega,
Islandia, Dinamarca e França.
Mais tarde, a espada passou
a chamar-se "Excalibur". Merlin e Arthur foram para um lago, no meio do
qual um braço segurava a espada. A espada, "Excalibur", pertenceu
à Dama do Lago, que a ofereceu a Arthur. Quando Arthur morreu e
foi levado para Avalon, a espada regressou ao lago. Arthur casou com Guinevere,
e alguns contos dizem que ele recebeu como prenda de casamento do seu sogro,
a Tavola Redondas, que tinha 150 lugares. A sua irmã casou com Loth,
duque de Lothian, tendo tido dois filhos dele, Gawain e Mordred. Alguns
contos referem que Arthur, sem saber que a mulher do duque de Lothian era
a sua própria irmã, dormiu com ela, tendo concebido Mordred.
Foi este incesto que levou Arthur e os Cavaleiros da Tavola Redonda à
destruição, tal como Merlin tinha profetizado.
Arthur mesmo sabendo que
a sua mulher estava apaixonanda por Lancelot, recusava-se a admiti-lo perante
os outros, devido ao seu grande afecto por Lancelot. Mas Mordred e Agravaine,
que odiava Lancelot, denunciou-o a Arthur e a acusação de
traição e adultério tornou-se pública. Arthur
autorizou Mordred a prender Lancelot, mas este fugiu. Alguns dos cavaleiros
foram com Lancelot, outros manifestaram-se leais a Arthur. Quando Arthur
e Gawain foram com as tropas para França lutar contra Lancelot,
foram mortos muitos cavaleiros de ambos os lados. Mordred afastado da governação
de Inglaterra, capturou a coroa e tentou também raptar Guinevere,
que resistiu. Arthur regressou a Inglaterra e numa grande batalha, procurou
Mordred, matando-o com uma lança. Quase a morrer Mordred deu um
golpe mortal a Arthur.
Sir Bedivere ajudou Artur
a sair para a margem do lago e, de acordo com as suas instruções,
lançou a espada à água. Um braço veio ao de
cima da água para levar a espada, desaparecendo em seguida. Arthur,
mortalmente ferido, é posto num grande barco mágico e é
levado para Avalon a terra dos heróis imortais.
Segundo a tradição,
Glastonbury era a ilha de Avalon. Em 1191, monges de Glastonbury desenterraram
um caixão de madeira, a 6 metros de profundidade, que afirmaram
conter o corpo de Arthur.
Encontraram uma cruz de
chumbo dentro do caixão que continha a seguinte inscrição:
"Aqui na
ilha de Avalon jazem o famoso Arthur e Guinevere, sua segunda mulher".
Diz-se que escrito na sua
sepultura estava:
"Aqui jaz
Arthur,
antigo e futuro rei".
E eles remaram para
mar, ficando Sir Bedivere a olhar todas as raparigas que ficaram na ilha.
Entretanto Sir Bedivere gritou: Ah meu senhor Arthur, o que irá
ser de mim agora que ireis partir, deixando-me aqui sozinho entre os meus
inimigos. Conformai-vos, disse o rei, e faz tal como podes, pois para mim
não há verdade para acreditar; pois eu irei para o Vale de
Avalon, para me curar dos meus dolorosos golpes e se vós nunca mais
ouvirdes falar de mim, rezai pela minha alma.